Moda brasileira em 2026: novo calendário une São Paulo e Rio, com foco na sustentabilidade
A partir de 2026, o São Paulo Fashion Week migra para o segundo semestre e o novo Rio Fashion Week ocupa o primeiro, enquanto a sustentabilidade ganha espaço nas passarelas. Um olhar sereno sobre a moda nacional.
Como alguém que acompanha a moda brasileira há anos, aprendi a enxergar além das passarelas e a observar os movimentos de fundo que moldam o setor. Em 2026, a moda nacional passa por mudanças interessantes, que vão desde o próprio calendário dos grandes eventos até uma preocupação cada vez mais séria com a sustentabilidade. Vale a pena olhar tudo isso com calma.
Um novo calendário
A novidade mais concreta é organizacional. A partir de 2026, o São Paulo Fashion Week passa a acontecer no segundo semestre do ano, enquanto o recém-criado Rio Fashion Week ocupa o primeiro semestre. A ideia é que os dois eventos funcionem como calendários complementares, e não concorrentes. Para o setor, isso pode significar mais oportunidades ao longo do ano, distribuídas entre duas grandes cidades.
São Paulo, vitrine da América Latina
O São Paulo Fashion Week segue como um dos eventos de moda mais importantes da América Latina. Ele reúne estilistas consagrados, novos talentos, compradores, imprensa e criadores de conteúdo em torno das coleções de cada temporada. Mais do que desfiles, o evento oferece palestras e oficinas em que especialistas discutem design, inovação e os rumos da indústria. É um termômetro do que vem por aí.
A sustentabilidade em foco
Um tema atravessa cada vez mais as coleções: a sustentabilidade. Estilistas têm apostado no upcycling, ou seja, no reaproveitamento de sobras têxteis, e na chamada circularidade da moda. Não se trata apenas de estética, mas de repensar como as roupas são feitas e descartadas. Para mim, essa mudança de mentalidade é um dos sinais mais promissores do momento atual da moda.
Indústria em transformação
Essa tendência não vem só das passarelas. A Estratégia Nacional de Economia Circular, lançada em 2024, tem incentivado a indústria a adotar processos mais limpos, como tingimentos ecológicos e cadeias de fornecimento rastreáveis. Quando a política setorial e a criatividade caminham juntas, o resultado tende a ser mais consistente. A moda brasileira parece estar entendendo esse recado aos poucos.
Meu olhar sereno
Apesar do entusiasmo, procuro manter os pés no chão. Anunciar sustentabilidade é fácil; transformá-la em prática real e duradoura é outra história. Calendários novos e discursos verdes só terão valor se vierem acompanhados de mudanças concretas na produção e no consumo. O verdadeiro teste será ver se a moda brasileira consegue unir beleza, identidade e responsabilidade de forma consistente.





